quinta-feira, 19 de junho de 2008

Deu tá dado e quem perdeu é muito querido


Os melhores presentes são sempre os meus. Digo isso referindo-me aos vários significados desse homônimo: presentes dos amigos e amigos presentes, que, de certa forma, são um presente.


Passei um final de semana incrível com uma amiga-amada-musa-desatinada-vermelha na casa onde ela mora. Foram risos soltos pelos olhos, passeios alegres pela lua de sábado, Chico Buarque até não poder mais, sensações de uma amizade ao acaso imponderável...


Eis que passa o final de semana e eu apareço na faculdade linda, louca e de bolero preto. Bolero preto este, que é da amiga cheia de predicados já referida. Ao vê-lo, ela o reconheceu, mas com a maior naturalidade do mundo disse o seguinte: "se gostou é seu, pode ficar de presente de aniversário".


Amigos. Algo que, realmente, posso dizer que tenho. Passo longas horas com um doce-amado-amigo-pacífico-pálido(precisa pegar um sol de domingo). Certo dia lhe disse o quanto havia adorado o filme "Dogville", que ele tinha me emprestado. Nessas conversas sobre cinema e música ele me disse o seguinte: "o dvd 'Dogville' é seu, pode ficar de presente de aniversário".


Nos dois casos fiquei super constrangida, não era a minha intenção, não mesmo. Queria apenas, no primeiro caso, aproveitar mais um pouquinho o bolerinho e, no segundo caso, puxar um assunto cult.


Nessa era de acúmulo, egoísmo, cálculo e posse, gestos de total desapego são raros e transformam um final de semana comum ou uma conversa corriqueira em momentos especiais. Não é normal alguém retirar algo de si para dar a outrem. Afinal, se é seu, se você comprou, é porque deve gostar muito, caso contrário, nem o teria adquirido. Pessoas assim fazem por nada, porque eu adimito, nunca dei um alfinete para esses dois. E em contrapartida eles me presenteiam.


Devem gostar realmente de mim. Ou são generosos. Ou gostam de surpreender. Ou fazem isso com todos e eu fico aqui como boba achando que é só comigo.


Certamente sabem que certas atitudes valem mais do que palavras. E devem ter a noção de que um dvd e um bolero, ou qualquer outro bem material, podem ser substituídos, mas um momento de extasiar uma amiga é coisa que não vale perder.



Falo sobre isso não para que pensem que eu sou desprendida, muito pelo contrário. Só me desfaço do que não gosto mais, o que é algo altruísta e egoísta. Altruísta porque se pra mim não serve, para outro deve cair perfeitamente; egoísta por achar que meus restos serão bem vindos à outras pessoas. Meu único objetivo é reconhecer e explanar a grandeza e beleza alheias.


Devo estar me transformando numa sentimentalóide, "ando tão à flor da pele que qualquer beijo de novela me faz chorar". Mas acredito que esses momentos de delicadeza devem ser holofotizados. Tudo seria mais apaixonante, se as pessoas fossem mais desprendidas das suas coisas, não só as materias, acho que essas são as que menos importam, as espirituais. Penso que devem se desprender das mágoas, da inveja, de suas verdades para ouvir e respeitar as verdades dos outros.



Bom, o bolero e o dvd que minha amiga e o meu amigo me deram, respectivamente, continuarão sempre comigo, nem adianta elogiar pra ver se o truque funciona.




Um comentário:

Pétala Rubra disse...

Que lindo, amiga!
Saiba que é de todo meu coração as coisas que faço por você!

Te amooooooo!