quinta-feira, 13 de agosto de 2009


Por esses dias vi um filme com um elenco incrível, figurinhas fáceis do cinema como Scarlett johansson, Ben Affleck, Drew Berrymore e lá vai viola...O título é "Ele não está tão a fim de você".

Vejam.

Principalmente vocês, mulheres, que fantasiam dia após dia.


Esse filme é, além de divertido, um tapa na cara da mulherada. Está certo que é extremamente machista, mas o que se esperar de uma produção americana? Frases do tipo: "amiga, ele gosta de você, só não está preparado para um relacionamento agora" ou "Ele é muito para você, sentiu-se intimidado e não aguentou, por isso foi embora", são traduzidas friamente com um "Ele não está a fim de você", simples assim. Essas frases são típicas de amigas que não querem magoar um coração já partido, mas que no fundo, no fundo sabem que toda aquela conversa fiada seria reduzida em horas, se fôssemos mais práticas e realistas.


Eu sou um exemplo vivo disto, sim, querido, sou sim. Eu tinha um relacionamento bacaninha, mas tinha muitos problemas com a mãe do meu último namorado, nós duas brigávamos e quase não nos falávamos. Nada que comprometesse (muito) nosso relacionamento. Até que um belo dia, olhando em meus olhos, ele disse: "eu te amo, mas não podemos ficar juntos, você é uma mulher que exala paixão e eu sou um homem sem graça, que não sabe lidar com várias situações, preciso me dedicar ao mestrado, blá, blá, blá...". Um monte de babozeiras, mas metade do que ele falou era verdade. A metade na qual ele dizia que eu era linda e apaixonante e a parte que ele dizia ser problemático, inseguro etc (risos). Ô, homem sem graça! Não aprendi nada com ele ou melhor, aprendi sim, aprendi a ser ingrata. Depois de ouvir essas besteiras e relatá-las às minhas amigas, todas disseram: "Não chore, ele te ama, a culpa é daquela mãe", "Você é demais para ele" etc e tal..., todas alimentando essa situação ridícula. Isso acontece porque as mulheres não sabem lidar com a rejeição, isso é fato. Até que um belo dia, meu chefe, que tornou-se amigo, perguntou:"Pâmela, você já parou para pensar na possibilidade dele não estar tão apaixonado?" Boom!!!!!! Abriu-se uma clareira. É claro, people. Eu já tive homens apaixonados por mim, e muito, inclusive nesse momento estou vivendo uma paixão e posso dizer "Ele está tão a fim de mim" (desculpem-me a demonstração exagerada de auto-afirmação, mas depois de um relato de dor-de-cotovelo eu tinha que relatar um momento de glória). Mas é uma pena que só percebamos isso depois do pé na bunda.


Bem, paremos de falar de mim e voltemos ao filme.


O melhor de “Ele não está tão a fim de você” é que você não passará por ele impunemente. Hora ou outra se identificará com um caso, um dilema, um momento de comicidade ou de tristeza. E se lembrará de uma dessas desculpas esfarrapadas que, com certeza, você já usou ou ouviu pelo menos uma vez na vida.


Eu diria até que é um filme didático, quase um documentário produzido pela BBC. Admito que exista verdade na teoria do filme, especialmente se considerarmos que sonhos e desejos amorosos requerem esforços específicos, muitas vezes. Porém, há uma enorme diferença entre dedicar-se com afinco para encontrar a pessoa amada e ficar dando murro em ponta de faca, ainda mais quando furar as mãos está a serviço de lustrar o ego. Porque é assim que definiremos: ego. Crer e fazer crer que uma pessoa não está contigo por fatores externos que nada tem a ver com você é uma enorme forçação na tentativa de manter o ego nas alturas. Por isso, apostar em situações onde quase tudo está se mostrando desfavorável e contrário aos nossos esforços pode até ser uma escolha admirável quando a gente sente que realmente vale a pena arriscar e persistir, mas até neste caso é preciso que haja um limite e um pouquinho de vergonha na cara.


Contudo, como não poderia deixar de ser, ao final do filme você sente uma catarse, uma identificação, um alívio. O filme termina e você fica com uma sensação de "bem feito".


Amigas, desculpem-me, mas da próxima vez eu vou dizer "Ele não está tão a fim de você".

terça-feira, 30 de junho de 2009

Registro de um novo amor depois do velho que era novo


A vida é engraçada, embora às vezes eu não mostre os meus dentes quando me deparo com uma palhaçada.

O amor, por exemplo, é uma palhaçada e em grande parte sem graça.

O que já foi, foi. Não me importo, nem nas minhas breves orações figura mais. Já dizia Vinícius, "amor só é bom se doer". É o caralho! Só se for no dele, porque não pode doer, não tem que doer.


Desde a última postagem muita coisa aconteceu: vida, sobre vida, "muitas águas rolaram, muitos homens me amaram". Mentira, nada de muitos, apenas um. E basta.

Basta para se ser alegre.


E, não sei vocês, talvez as mulheres concordem comigo, que nós nascemos com um botão, um dispositivo, que é automaticamente ligado todas as manhãs e nos informa que, sem amor, o dia não valerá a pena. Pois é, meu único leitor, meus dias estão valendo a pena.

Por isso, essa estória de amor sofredor é uma droga, é improdutivo. E cada um é dono de si e é de alguém que o quer.

E esse meu alguém, hoje, é fúria e loucura, é tesão e anseio, é água e sal, é luz e sombra, é homem. "Bem que minha mãe avisou".


Hoje os dias tem muita cintilância. Mas a ironia da alegria é que não me reconheço e com isso não entendo o que escrevo pois parece grego, e não sei falar grego, droga... Minhas mãos criaram vida própria e donas de si me estapeiam pelo tanto de letras e vontade que me tenho de escrever.

Bom retorno para mim.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Registro de um novo amor


Dizem que a felicidade é improdutiva. É verdade, estou numa abstinência de idéias, sem tempo para nada, porque ser feliz exige muito esforço de mim.


Esse cansaço é leve, fascinante, corpo cansado.


Não me queixo, prefiro não lançar mão dessas minhas palavras inúteis.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Um pouco de poesia não faz mal a ninguém


Sem escrever

Fica a pergunta sem resposta,

O adeus sem sofrimento,

O jogo sem aposta,

O beijo sem seio.




Sem escrever

Não há nuance no mundo,

A razão não manda,

A esperança se mata,

A vida se muda.


Deu tá dado e quem perdeu é muito querido


Os melhores presentes são sempre os meus. Digo isso referindo-me aos vários significados desse homônimo: presentes dos amigos e amigos presentes, que, de certa forma, são um presente.


Passei um final de semana incrível com uma amiga-amada-musa-desatinada-vermelha na casa onde ela mora. Foram risos soltos pelos olhos, passeios alegres pela lua de sábado, Chico Buarque até não poder mais, sensações de uma amizade ao acaso imponderável...


Eis que passa o final de semana e eu apareço na faculdade linda, louca e de bolero preto. Bolero preto este, que é da amiga cheia de predicados já referida. Ao vê-lo, ela o reconheceu, mas com a maior naturalidade do mundo disse o seguinte: "se gostou é seu, pode ficar de presente de aniversário".


Amigos. Algo que, realmente, posso dizer que tenho. Passo longas horas com um doce-amado-amigo-pacífico-pálido(precisa pegar um sol de domingo). Certo dia lhe disse o quanto havia adorado o filme "Dogville", que ele tinha me emprestado. Nessas conversas sobre cinema e música ele me disse o seguinte: "o dvd 'Dogville' é seu, pode ficar de presente de aniversário".


Nos dois casos fiquei super constrangida, não era a minha intenção, não mesmo. Queria apenas, no primeiro caso, aproveitar mais um pouquinho o bolerinho e, no segundo caso, puxar um assunto cult.


Nessa era de acúmulo, egoísmo, cálculo e posse, gestos de total desapego são raros e transformam um final de semana comum ou uma conversa corriqueira em momentos especiais. Não é normal alguém retirar algo de si para dar a outrem. Afinal, se é seu, se você comprou, é porque deve gostar muito, caso contrário, nem o teria adquirido. Pessoas assim fazem por nada, porque eu adimito, nunca dei um alfinete para esses dois. E em contrapartida eles me presenteiam.


Devem gostar realmente de mim. Ou são generosos. Ou gostam de surpreender. Ou fazem isso com todos e eu fico aqui como boba achando que é só comigo.


Certamente sabem que certas atitudes valem mais do que palavras. E devem ter a noção de que um dvd e um bolero, ou qualquer outro bem material, podem ser substituídos, mas um momento de extasiar uma amiga é coisa que não vale perder.



Falo sobre isso não para que pensem que eu sou desprendida, muito pelo contrário. Só me desfaço do que não gosto mais, o que é algo altruísta e egoísta. Altruísta porque se pra mim não serve, para outro deve cair perfeitamente; egoísta por achar que meus restos serão bem vindos à outras pessoas. Meu único objetivo é reconhecer e explanar a grandeza e beleza alheias.


Devo estar me transformando numa sentimentalóide, "ando tão à flor da pele que qualquer beijo de novela me faz chorar". Mas acredito que esses momentos de delicadeza devem ser holofotizados. Tudo seria mais apaixonante, se as pessoas fossem mais desprendidas das suas coisas, não só as materias, acho que essas são as que menos importam, as espirituais. Penso que devem se desprender das mágoas, da inveja, de suas verdades para ouvir e respeitar as verdades dos outros.



Bom, o bolero e o dvd que minha amiga e o meu amigo me deram, respectivamente, continuarão sempre comigo, nem adianta elogiar pra ver se o truque funciona.




quinta-feira, 22 de maio de 2008

Eu estou falando de amor.


É dia e o céu está estrelado.
Ninguém vê o que eu vejo:
dia e estrela como jamais haviado esperado.
Cenário único para beber o teu beijo.

Não me chame para acompanhá-lo.
Minhas mãos não são raptáveis.
Repara nas minhas palavras todas as vezes que calo.
Agora tu és amor e balanço imagináveis.




Preciso dizer que amo. Amor grande, forte e alto como uma escola de samba. Amor apenas meu, na minha idéia, no meu sorriso. Amor que me faz escrever os mais felizes e os mais tristes versos. Amei. Não. Amo ainda. Mas é um daqueles amores que ficam, nos ensinam tudo e ficam, nos fazem sorrir e ficam. Não são para serem vividos, não. São apenas para serem sentidos. Ele tem olhos fixos, parecem faróis que guiam à praia.

Minhas mãos insistem em me convencer de que já passou, mas a minha alma, ah! essa não se conforma em tê-lo deixado ir. Somos iguais, não somos os mesmo. Haverá outros, haverá outras. Dois para lá e dois para cá num ritmo natural de vida. Ele tem sorriso de menino que andava descalço na varanda.

Hoje é noite de lua cheia, assunto recorrente entre nós dois. Comum, todos falamos sobre a lua, essa desgraçada e bela. "A lua tem gravidade, por isso nos sentimos atrídos por ela", eu disse. "Os corpos têm gravidade, por isso nós dois nos atraímos", ele disse. Quem além dele me dirá isso novamente? Ele tem a voz abafada, que sempre parece sussurar, mesmo aos berros.


Isso é tudo. E devagar vou derramando pelo caminho as rosas em versos que eu recebi.

domingo, 18 de maio de 2008

O calor e o frio nosso de cada dia


Todo mundo sabe que tenho loucura por Londres e que qualquer dia colocarei a mochila nas costas e irei para lá, pode ser amanhã, no ano que vem ou daqui a dez anos. Sou obsessiva, isto é parte de uma idéia fixa. Todos têm de ter pelo menos cinco idéias fixas e não conseguirem concretizar duas, apenas porque sempre precisamos buscar alguma coisa (mas isso é assunto para outro post).

Numa conversa com um antigo professor (aliás, mentor dessa loucura), ele me disse que os londrinos SEMPRE iniciam suas conversas discutindo sobre o tempo.



- Hi! Good morning.

- Hi! Beautiful day, today is hot.

- Yeah, the sky is so blue.

- How are you...



E assim vai...



Ele disse também que se você der uma de "original" e tentar iniciar um papo a respeito de outro assunto, eles te acharão uma pessoa impertinente e desinteressante.



Pois bem, moro no Rio de Janeiro, sol (quase) o ano inteiro, e tenho amigos espalhados por todo o mundo (acreditem). São Paulo, Minas, Argentina e Noruega. Mantemos contato graças a barata tecnologia, e os assuntos são diversos: livros, amigos, homens, mulheres, bebibas, desejos etc. E o que todos eles tem em comum? É um bendito comentário sobre o tempo. Abre-se o papo com um "Oi, que saudades. Como você está? Aqui está muito frio..."



Uma conversa mundana que eu achava típica das pessoas mundanas como eu, é o principal assunto do país dos meus sonhos? Que necessidade é essa de falar sobre o calor dos infernos no Rio? Ou saber se está chovendo horrores em Dubai, já que não estou com viagem marcada para lá? Não é estranho?



Eu já me peguei várias vezes falando do tempo como assunto para aquelas horas em que há total falta de assunto. Tenho um amigo noruegues que é lindo e em vez de mostrar toda a minha bagagem intelectual, eu falei horas sobre como é possível, na Noruega, a cada cinco dias choverem três. Meu amigo mineiro, também, sempre diz como está o tempo em Belô e o que está vestindo.



Talvez a temperatura ambiente justifique o nosso humor. Talvez tenhamos nossa própria temperatura, somos gelados ou quentes. Se estamos bem e felizes somos quentes como o sol de Ipanema em pleno janeiro, mas se estamos melancólicos ou carentes armamos logo um ciclone mais devastador do que o de Mianmar.



Eu penso que seja mais uma dessas minhas associações livres: em vez de perguntarmos "você está triste?" (porque isso dói), perguntamos "como está aí, está chovendo?". Ou "aposto que o céu deve estar lindo, sua voz está radiante".



Aqui, agora, chove. Mas acho que vai fazer sol.

sábado, 17 de maio de 2008

Sobre Pam, psiquismo e coisas vivas




Segundo o dicionário Houaiss:

Pam

prefixo
do adj.gr. pâs,pâsa,pân, genit. pantós,pásés,pantós 'cada, cada um(a), todos, inteiridade, totalidade, todo o possível, tudo possível' (representado em lat. tanto por pam- como por pan- em voc. gregos em que é pequena ou nula a consciência prefixal); em gr. ocorrem f. como pámphónos,os,on 'que faz ouvir toda espécie de sons', panalethês,ê,es 'de todo verdadeiro, totalmente verdadeiro', pantárkhas,ou (= pant-árkhas) 'senhor de tudo, chefe supremo', pantoergós,ós,ón (= panto-ergós) 'que cumpre, executa, tudo'.

Psiquismo

substantivo masculino
1 Rubrica: filosofia.
doutrina filosófica que supõe ser a alma formada por um fluido especial que anima todos os seres vivos.
2 Rubrica: psicologia.
conjunto dos processos psíquicos do ser humano ou do animal tomado genericamente; psique, psicologia.
___________________
Isto posto, isto aí, é isto tudo (que aliteração feia; ah, vai ficar assim mesmo), quer dizer: totalidade da alma. Simples ?
___________________
A modinha do blog me pegou. Aconselhei muitos amigos a fazerem um, mas na verdade eu é que sentia a necessidade de escrever. Alguns de vocês afirmarão: "Blog é para quem não tem o que fazer". Está certo, em partes. Trabalho, estudo, estagio, tenho vida social ativa (apesar de estar em frente ao computador num sábado à noite), tenho amigos que amo, faço amor (ultimamente tem sido sexo mesmo) e além do mais, minha mãe odeia quando ligo a máquina. Com todos esses fatores, por que insisti em fazer um blog? Sei lá, tavez eu precise exercer a mim mesma.