
Por esses dias vi um filme com um elenco incrível, figurinhas fáceis do cinema como Scarlett johansson, Ben Affleck, Drew Berrymore e lá vai viola...O título é "Ele não está tão a fim de você".
Vejam.
Principalmente vocês, mulheres, que fantasiam dia após dia.
Esse filme é, além de divertido, um tapa na cara da mulherada. Está certo que é extremamente machista, mas o que se esperar de uma produção americana? Frases do tipo: "amiga, ele gosta de você, só não está preparado para um relacionamento agora" ou "Ele é muito para você, sentiu-se intimidado e não aguentou, por isso foi embora", são traduzidas friamente com um "Ele não está a fim de você", simples assim. Essas frases são típicas de amigas que não querem magoar um coração já partido, mas que no fundo, no fundo sabem que toda aquela conversa fiada seria reduzida em horas, se fôssemos mais práticas e realistas.
Eu sou um exemplo vivo disto, sim, querido, sou sim. Eu tinha um relacionamento bacaninha, mas tinha muitos problemas com a mãe do meu último namorado, nós duas brigávamos e quase não nos falávamos. Nada que comprometesse (muito) nosso relacionamento. Até que um belo dia, olhando em meus olhos, ele disse: "eu te amo, mas não podemos ficar juntos, você é uma mulher que exala paixão e eu sou um homem sem graça, que não sabe lidar com várias situações, preciso me dedicar ao mestrado, blá, blá, blá...". Um monte de babozeiras, mas metade do que ele falou era verdade. A metade na qual ele dizia que eu era linda e apaixonante e a parte que ele dizia ser problemático, inseguro etc (risos). Ô, homem sem graça! Não aprendi nada com ele ou melhor, aprendi sim, aprendi a ser ingrata. Depois de ouvir essas besteiras e relatá-las às minhas amigas, todas disseram: "Não chore, ele te ama, a culpa é daquela mãe", "Você é demais para ele" etc e tal..., todas alimentando essa situação ridícula. Isso acontece porque as mulheres não sabem lidar com a rejeição, isso é fato. Até que um belo dia, meu chefe, que tornou-se amigo, perguntou:"Pâmela, você já parou para pensar na possibilidade dele não estar tão apaixonado?" Boom!!!!!! Abriu-se uma clareira. É claro, people. Eu já tive homens apaixonados por mim, e muito, inclusive nesse momento estou vivendo uma paixão e posso dizer "Ele está tão a fim de mim" (desculpem-me a demonstração exagerada de auto-afirmação, mas depois de um relato de dor-de-cotovelo eu tinha que relatar um momento de glória). Mas é uma pena que só percebamos isso depois do pé na bunda.
Bem, paremos de falar de mim e voltemos ao filme.
O melhor de “Ele não está tão a fim de você” é que você não passará por ele impunemente. Hora ou outra se identificará com um caso, um dilema, um momento de comicidade ou de tristeza. E se lembrará de uma dessas desculpas esfarrapadas que, com certeza, você já usou ou ouviu pelo menos uma vez na vida.
Eu diria até que é um filme didático, quase um documentário produzido pela BBC. Admito que exista verdade na teoria do filme, especialmente se considerarmos que sonhos e desejos amorosos requerem esforços específicos, muitas vezes. Porém, há uma enorme diferença entre dedicar-se com afinco para encontrar a pessoa amada e ficar dando murro em ponta de faca, ainda mais quando furar as mãos está a serviço de lustrar o ego. Porque é assim que definiremos: ego. Crer e fazer crer que uma pessoa não está contigo por fatores externos que nada tem a ver com você é uma enorme forçação na tentativa de manter o ego nas alturas. Por isso, apostar em situações onde quase tudo está se mostrando desfavorável e contrário aos nossos esforços pode até ser uma escolha admirável quando a gente sente que realmente vale a pena arriscar e persistir, mas até neste caso é preciso que haja um limite e um pouquinho de vergonha na cara.
Contudo, como não poderia deixar de ser, ao final do filme você sente uma catarse, uma identificação, um alívio. O filme termina e você fica com uma sensação de "bem feito".
Amigas, desculpem-me, mas da próxima vez eu vou dizer "Ele não está tão a fim de você".






