domingo, 18 de maio de 2008

O calor e o frio nosso de cada dia


Todo mundo sabe que tenho loucura por Londres e que qualquer dia colocarei a mochila nas costas e irei para lá, pode ser amanhã, no ano que vem ou daqui a dez anos. Sou obsessiva, isto é parte de uma idéia fixa. Todos têm de ter pelo menos cinco idéias fixas e não conseguirem concretizar duas, apenas porque sempre precisamos buscar alguma coisa (mas isso é assunto para outro post).

Numa conversa com um antigo professor (aliás, mentor dessa loucura), ele me disse que os londrinos SEMPRE iniciam suas conversas discutindo sobre o tempo.



- Hi! Good morning.

- Hi! Beautiful day, today is hot.

- Yeah, the sky is so blue.

- How are you...



E assim vai...



Ele disse também que se você der uma de "original" e tentar iniciar um papo a respeito de outro assunto, eles te acharão uma pessoa impertinente e desinteressante.



Pois bem, moro no Rio de Janeiro, sol (quase) o ano inteiro, e tenho amigos espalhados por todo o mundo (acreditem). São Paulo, Minas, Argentina e Noruega. Mantemos contato graças a barata tecnologia, e os assuntos são diversos: livros, amigos, homens, mulheres, bebibas, desejos etc. E o que todos eles tem em comum? É um bendito comentário sobre o tempo. Abre-se o papo com um "Oi, que saudades. Como você está? Aqui está muito frio..."



Uma conversa mundana que eu achava típica das pessoas mundanas como eu, é o principal assunto do país dos meus sonhos? Que necessidade é essa de falar sobre o calor dos infernos no Rio? Ou saber se está chovendo horrores em Dubai, já que não estou com viagem marcada para lá? Não é estranho?



Eu já me peguei várias vezes falando do tempo como assunto para aquelas horas em que há total falta de assunto. Tenho um amigo noruegues que é lindo e em vez de mostrar toda a minha bagagem intelectual, eu falei horas sobre como é possível, na Noruega, a cada cinco dias choverem três. Meu amigo mineiro, também, sempre diz como está o tempo em Belô e o que está vestindo.



Talvez a temperatura ambiente justifique o nosso humor. Talvez tenhamos nossa própria temperatura, somos gelados ou quentes. Se estamos bem e felizes somos quentes como o sol de Ipanema em pleno janeiro, mas se estamos melancólicos ou carentes armamos logo um ciclone mais devastador do que o de Mianmar.



Eu penso que seja mais uma dessas minhas associações livres: em vez de perguntarmos "você está triste?" (porque isso dói), perguntamos "como está aí, está chovendo?". Ou "aposto que o céu deve estar lindo, sua voz está radiante".



Aqui, agora, chove. Mas acho que vai fazer sol.

Um comentário:

Tata - A Moderninha disse...

Caraca quando vc for me leva na bagagem.
Tenho uma amiga que está lá estudam e disse q se dependesse dela, ela nunca mais voltaria para essa Terra de Judas.

beijos